"Alta competição foi uma grande desilusão"

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Andebol. Ricardo Andorinho termina carreira e aposta na gestão de empresas

Jogador recorda bons momentos no Sporting mas critica dirigentes

"Após 20 anos a jogar andebol, desde que comecei em Évora com 12 anos, abandonar a competição foi a circunstância mais difícil de assimilar da minha vida", confidencia ao DN sport, Ricardo Andorinho, um dos melhores jogadores da actualidade, que nas últimas temporadas representou o Portland San António, de Espanha.

Uma sequência de lesões provocadas por uma fractura da rótula do joelho esquerdo no decorrer de um jogo da Liga espanhola, entre o Portland Santo Antonio e o Barcelona, pôs fim à sua carreira. Um longo calvário de tratamento e recuperação não obteve os resultados desejados levando um ano depois à decisão de que seria impossível continuar a jogar andebol.

"O último jogo foi há cerca de ano e meio, mas ainda não estou estabilizado. Os problemas começam no sono. Quando estava a competir dormia oito horas. Agora, há períodos que durmo três horas", acrescenta. O ex-andebolista do Sporting assume que viveu momentos muito bons na alta competição, mas é "uma grande desilusão" para si a forma como é encarada muitas vezes "desvirtuando os valores do desporto que devem ser passados aos jovens".

"Continuo com dores. É uma lesão impossível de tratar. Nem correr posso. Mas nado de dois em dois dias", disse ao DN sport. "Fui aos limites das minhas capacidades e penso que cheguei longe pela minha entrega à modalidade. Muitas vezes não respeitei as dores que por vezes sentia", acrescenta, recordando os primeiros anos no Portland: "Quando cheguei a Espanha toda a equipa tinha sido remodelada. Foi o melhor ano. Vencemos uma liga Asobal e uma supertaça." Mas o Sporting, onde cresceu como jogador entre 1994 e 2004, marcou a sua carreira. "Tenho uma relação afectiva com o Sporting. O meu avô era sportinguista. Por isso, a saída do clube em 2004 foi muito difícil afectivamente mas muito fácil a nível profissional. Tomei uma decisão objectiva mas coloquei sempre o Sporting à frente."

O andebolista recorda que "a administração em funções na altura reduziu o orçamento para a modalidade em 60% no final da época de 2001/2002 para sair mostrando um plano de corte." Isso provocou vários problemas aos jogadores, que passaram a estar sob uma pressão fortíssima. "Rebentaram a equipa por dentro. Foi o que mais me magoou no clube. Todo o plantel teve de tomar decisões individuais. E isso fez morrer o que de melhor construímos nos anos anterior."

Quanto à selecção, recorda que "aconteceu algo parecido". Considera que é português como todos os seus colegas, mas não entende que haja várias selecções. "A equipa nacional foi, é e será só uma: a melhor equipa possível constituída pelos melhores atletas que representam Portugal no mundo. A política é uma actividade que está fora das quatro linhas, mas, infelizmente, tivemos muitas vezes de jogar com ela."

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